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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

NA EXPRESSÃO CORPORAL A ALMA DO TANGO

O BANDONEON FAZ O “PANO DE FUNDO” - A marcação do Bandoneon cadencia as emoções que extrapolam aos abraços e aos jogos de perna na pista de baile. É o TANGO na sua mais autêntica expressão, que faz da Argentina um destino particular. A perícia dos tangueiros está sempre salpicada de poesia, exalada dos acordes vibrantes e lamentosos da melodia sincopada, para conhecer a fibra de uma cidade: Buenos Aires.
Buenos Aires, capital da Argentina, é a segunda maior área metropolitana da América do Sul, localizada no estuário do Rio da Prata. A par de ser uma das 20 maiores cidades do mundo, guarda no seu estilo arquitetônico os contornos europeus. Bastante característica, sobressai-se por possuir a maior concentração de teatros do mundo, com cerca de 280 salas, desde o Colón que é um dos exemplos de excelência.
Mas também marca por ser uma cidade de expansão verde considerável, com mais de 250 espaços e parques que lhe tornam genuína. Um outro destaque é o seu metrô, hoje com mais de 6 linhas que alcançam acima de 40 km, o primeiro da América Latina, pois inaugurado em 1913, inclusive com a sua característica de, na maior parte, estar subterrâneo.
DANÇA SENSUAL DE LINGUAGEM PARTICULAR - Uma das mais autênticas expressões musicais, o TANGO é, sobretudo, uma dança sensual, além de várias outras características. Sua linguagem particular traz o vínculo da imigração e dos arredores portenhos. Na sua postura, há sempre um modo especial de vestir-se, de andar, uma autêntica forma de vida.
O TANGO é uma das marcas registradas do Rio da Prata, tão importante para o argentino, quanto para todo o restante do mundo que cultiva a bela cultura. Tão importante mesmo que foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.
AS NOITES PORTENHAS SÃO MAIS BELAS PELO TANGO - Carlos Gardel consagrou-o na história como a sua maior expressão e Astor Piazzola modernizou-o e lhe concedeu nova roupagem, não só para ainda mais o valorizar mas para o enriquecer de acordes ambiciosos. O TANGO pode ser encontrado desde as mais sofisticadas casas noturnas aos famosos e populares cabarés. Mas, da mesma sorte está sempre apresentado nas vias, como Corrientes, Recoleta, Calle Florida e Caminito, em “La Boca”, tanto quanto na Praça Dorego, em Santelmo.
Contudo, a sua alma estará sempre exaltada nos bairros tipicamente tangueiros, e neles se encontra a boa forma de conhecer a sua mística. Neles também estão as mais tradicionais e famosas casas que abrigam o melhor do ritmo quente e agitado. Como La Catedral, Niño Bien, Café Tortoni, La Calesita, La Glorieta del Belgrano, Salon Canning, El Beso, Confiteria Ideal, e Maldita Milonga.
AS NOITES SÃO TAMBÉM MAIS CALOROSAS AO SEU RITMO -  Uma série de outros tantos e tradicionais espaços marcam presença nas noites portenhas, encantando e exultando nativos e visitantes. Tais “El Viejo Almazén”, “La Cumparsita”, “Esquina Carlos Gardel” e muito mais. 
Um antigo cinema, na Avenida 9 de Julho, bem próximo do Obelisco, que é um dos principais marcos de Buenos Aires, foi transformado talvez na maior casa desse espectáculo: “Señor Tango”, onde desfilam, nas noites portenhas, as mais consagradas peças do seu cancioneiro. 
Em qualquer parte o TANGO é executado e bailado com maestria, consubstanciando um espectáculo muito especial e genuíno. Mas em “Señor Tango” a oportunidade é invulgar. Casa cheia sempre, como em todas as expressões da noite em Buenos Aires, são o passaporte que seus frequentadores concedem em aprovação calorosa.
CAMINITO EN LA BOCA É UM DESTINO IRRECUSÁVEL -  Se a alma portenha não estivesse entranhada por todos os caminhos de Buenos Aires, “La Boca” e “Caminito” seriam, inigualavelmente, as suas maiores expressões. Um colorido todo especial e uma estrutura própria marcam o bairro mais popular da Capital argentina.
Vale aqui registrado o episódio em que, já passados muitos anos, eu e a minha nunca esquecida e sempre amada Tereza nos encontrávamos em vilegiatura na “Buenos Aires querida” e nos deixamos perder nos encantos de “La Boca”. Naquela alegria pachorrenta, soltamo-nos aos prazeres fluídos de todas as entranhas.
Decidimos optar por um nome singular: “La Gaviota”. Pressurosamente recebidos, demo-nos conta de que – por ser uma noite não muito concorrida – éramos os únicos a buscar também as delícias da culinária argentina. Surpresa, mais que isto, estupefação, quando fomos contemplados com um tangueiro e sua voz exuberante, guiado por um” bandonéon” soluçante, a nos proporcionar as melhores peças do TANGO tradicional.
Fomos exclusivas, então, testemunhas do quanto devem ser especialmente profissionais empresários e artistas.

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