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sexta-feira, 15 de março de 2019

DOMITILLA ERA O PRÓPRIO “MISS” BAHIA

La pelos idos de 1976, quando o meu “affair” com Tereza ganhava espaços, ela me questionou de que o irmão, ANTÔNIO ROBERTO PELLEGRINO, que era misto de médico e jornalista, me mandara consultar se não gostaria de ingressar no jornalismo diário.
Àquela época, eu já fazia incursões em veículos de comunicação alternativos, como o jornal do Grêmio do Colégio Estadual da Bahia, o outro editado pela instituição cultural mantida pelo Filósofo e amigo ANTENOR TEIXEIRA. Evidente que anuí. E PELLEGRINO me orientou de que deveria atuar no esporte e que, no primeiro jôgo da semana eu assistisse, fizesse as minhas anotações e fôsse para a redação do Diário de Notícias, um dos órgãos dos Diários Associados de então, e redigisse a matéria para ser publicada no dia seguinte. Àquela época, os Diários Associados tinham séde na Rua Portugal, bairro do Comércio na Cidade Baixa.
Assim iniciei a minha carreira de Jornalista Profissional, no DN onde permaneci, junto com o Estado da Bahia, por cerca de 20 anos, somente deles “desembarcando” por fôrça do fechamento decorrente da “debacle” do grupo Associados.
Logo nos meus primeiros anos no Diário de Notícias, conhecí e convivi na redação com uma colega bem articulada e, que logo, logo, conquistou espaço muito especial na organização que, por sinal, era constituída dos dois veículos diários (o matutino DN e o vespertino Estado da Bahia – sim, àquela altura existia aquela dicotomia).
Em virtude da sua capacidade de fácil articulação e dos seus pendores para a administração de eventos, logo, logo DOMITILLA GARRIDO passou a contribuir para a realização anual de uma das mais consagradas promoções da época, o concurso “Miss Bahia”, evento que, nacionalmente, era realizado pelo Grupo Diários e Emissoras Associados em todo o país.
Vale referido, por oportuno, que, então, o grupo Associados – instituído e mantido pelo fantástico jornalista paraibano ASSIS CHATEAUBRIAND – foi o maior conglomerado da comunicação que o país conheceu em todos os tempos. Mais poderoso do que a “Rêde Globo” de hoje. E havia uma simples razão. O grupo, igualmente, criado e mantido pelo jornalista ROBERTO MARINHO, tem no sudeste os seus veículos próprios: jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão. Nos demais Estados são empresas locais, prórpias de grupos locais, que são “afiliadas”.
Os Associados não: todos os veículos em todos os Estados eram próprios do grupo. Somente em Salvador existiam os dois jornais (Diário de Notícias e Estado da Bahia), a Rádio Sociedade – uma das mais potentes do país – e a TV Itapuã, depois do seu advento no Brasil, por sinal, originário da própria iniciativa de Assis Chateaubriand.
Então, DOMITILLA passou a ser parceira de outro ícone do jornalismo baiano áquela época, CLEBER PACHECO, na administração e realização do concurso anual Miss Bahia. Quando começou a coordenar o concurso também na TV Itapuã, onde pontilhou de 1961 até 1975.
O seu começo como Miss Bahia ocorreu em 1962, levando ao Miss Brasil com Maria Oliveira Rebouças. E esteve em plena atividade, como uma das responsaveis maiores pelo sucesso da promoção na Bahia, até 1975, quando participou do Miss Mundo a candidata brasileira Zaida Costa.
Mas, o maior êxito alcançado por DOMITILLA, com o Miss Bahia, foi levar à conquista do Miss Brasil e, depois do Miss Universo, a baiana MARTA VASCONCELOS, o que aconteceu em 1968.
Mas a atuação de DOMITILLA GARRIDO foi sempre muito intensa, não somente na TV Itapuã, mas e sopretudo no Diário de Notícias, no qual logo, logo, evidenciou-se como excepcional reporter.
Um outro pormenor que enriquece o seu currículo foi que contribuiu decisivamente para o lançamento de inúmeros valores da música popular baiana. Assim foi que teve participação efetiva no início da carreira de inúmeros e autênticos cartazes, sobretudo introduzindo-os na TV Itapuã. 
Entre eles é possivel destacar nomes de grande sucesso, a partir de então, tais Antônio Carlos e Jocafi, Raul Seixas, Tom e Dito, Maria Creuza, bem assim Gilberto Gil e Caetano Veloso.
Eu tenho, nestas colunas, registrado a excelência de excepcionais amigos e companheiros, com os quais convivi. DOMITILLA GARRIDO é um desses casos em que, durante tantos anos tive a alegria de tê-la como colega de redação e com a qual, todas as tardes, pude privar da sua companhia.
Agora, quando recebí a notícia de que ela nos estava deixando, aos 85 anos, ainda em plena condição de continuar produzindo a excelência da sua atuação, não pude deixar de percorrer o passado e testemunhar o quanto já estamos desfalcados de tantos maravilhosos valores.
DOMITILLA, sem a menor dúvida, já estará convivendo com os melhores que se encontram no Reino de Deus. 

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