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quinta-feira, 18 de abril de 2013

CALEIDOSCÓPIO - NO NOSSO TEMPO E AGORA

Na transição de menino para adolescente e mesmo já depois dos  vinte anos, os grandes divertimentos que tivemos  foram o futebol e o cinema. Jogamos nos times infantis do Ceará e do Maguari, nos chamados primeiros quadros do Flamengo daqui, do Penarol e até do Ceará.  Sempre fomos um jogador “minhoca”,  mas que teve a alegria de atuar ao lado  de craques verdadeiros como Juju, Zé-Sergio, Saraiva, Waldemar,  Pedro Matos,  Alexandre e, para mim, o maior de todos os tempos – Mitotônio. Na época, as rusgas dentro do campo, perduravam  quase nada depois.  Os seriados do Majestic, quase sempre de faroeste,  do cachorro Rin-tin-tin, sem grandes maldades, surgiam como a grande pedida das quartas-feiras, sempre  na expectativa de que o Buck Jones (era este o nome?)  vencesse as paradas. Saudáveis eram os divertimentos da adolescência, somados depois às festas Marajaig, do Santa Cruz, do Ícaro e do Maguari, local em que um  “Boa Noite, seu Manuel”, servia como  senha para entrar no clube. Pela madrugada  voltávamos para casa, cantando ou assobiando o  “amor febril”, sem nenhum perigo de assalto.  Como “foca” de jornal, pelas mãos de Bruno Maia,  ingressei no final de 1944 no jornal “O Nordeste”, órgão da Arquidiocese de Fortaleza  e que era exemplo de usar bem a língua portuguesa. Também, pudera, lá pontificavam mestres da mais alta estirpe, como  Andrade Furtado, Luís Sucupira,  Audifax Mendes e Vasco Furtado. No Liceu do Ceará e no dia a dia de  “O Nordeste”, de  “O Povo”,  da ” Gazeta de Notícias”  e da “Tribuna da Imprensa” percorremos os  caminhos da nossa maneira de ser.  Estas mal traçadas linhas não têm  nenhum intuito biográfico. São apenas  para  situar um espaço e  justificar que, “no meu tempo”,  aprendia-se em casa,  com os mestres e  os divertimentos eram sadios e serviam para estreitar amizade. Ia-se ao Estádio Presidente Vargas ou jogar ou torcer pelos times das nossas predileções,  sem outros intuitos.  Gozação com os torcedores adversários perdedores, sempre havia. Nunca porém ia além disso. Infelizmente e lamentável,  de uns poucos anos para cá  é muito arriscado ir a um cinema à noite ou  aos estádios para assistir aos jogos das agremiações prediletas, principalmente nos chamados “clássicos”.  É uma aventura de alto risco, aqui, no Rio, em  São Paulo ou em qualquer parte deste nosso país amado. Não nos enganemos, as gangues das periferias ou mesmo de bairros chamados elegantes se travestem de torcedores só para fazer coisa ruim. Mortes, assaltos, agressões e depredação ao patrimônio alheio  que ocorrem não são da responsabilidade dos verdadeiros torcedores e sócios dos clubes e sim de marginais que nelas se infiltram para dar azo aos seus malignos instintos. O que fazer? A leniência das leis, a ineficiência por qualquer razão das polícias, a falta maior de estrutura familiar e os modelos de educação estão no âmago do problema. A hora de acordar está passando e o abismo maior aproxima-se célere. 

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